Trinta e cinco anos após a realização no Porto e em Coimbra do Colóquio Técnico da CID dedicado à Tipologia dos Actos Régios, é tempo de se regressar à produção documental e aos espaços concretos que constituíram as chancelarias dos soberanos. Para além do imprescindível balanço do que foi produzido desde então, é cada vez mais importante alargar as reflexões aduzidas pela Diplomática comparativa tradicional, e atender não só às características dos vários documentos, à sua composição, mas também aos redatores e às condições de redação.
Torna-se necessário aprofundar diversas abordagens da temática. Desde logo compreender em que momento a chancelaria de um rei, rainha ou de um princeps surge como instituição estruturada e quando pode, de facto, ser adequadamente designada como tal. Igualmente é relevante analisar as tarefas desempenhadas nesses espaços, bem como as formas e os usos da escrita no seio destas instituições.
Outro eixo fundamental de investigação prende-se com a organização interna das chancelarias dos reis, das rainhas e dos príncipes, entendida como resultado do progressivo aumento da produção documental, procurando identificar continuidades e mudanças sistemáticas ao longo do tempo. Neste contexto, ganha particular relevo o estudo do controlo de bens e de pessoas exercido através das cartas de chancelaria, enquanto instrumentos de poder e de administração. Acresce ainda a análise dos documentos produzidos pela chancelaria régia e destinados à administração central e periférica, bem como daqueles provenientes desses mesmos níveis administrativos.
Tratando-se de uma temática que, de facto, nunca deixou de estar presente na investigação diplomática, este encontro científico, realizado sobre o patrocínio da Comissão Internacional de Diplomática, visa sobretudo oferecer a jovens investigadores que se dedicam à Diplomática, um espaço de diálogo e de debate. Ao mesmo tempo, os membros da CID mais experientes, que, como se espera, venham a participar no Encontro, ajudarão a lançar pontes entre o muito que já se investigou e as novas abordagens e conceções diplomatísticas.